domingo, 25 de outubro de 2009

Angústia, o modo de ser privilegiado


A Angústia é um modo de ser do dasein que possibilita um ‘descortinar’, uma abertura, para que ele se conheça como um ente a partir do seu modo de ser, o que o diferenciará de outros entes. É se colocar de frente com o seu verdadeiro “modo de ser”. É um momento de compreensão em que o dasein se percebe no mundo e entende que ele só é no mundo e o mundo só é para ele. É o contato consigo mesmo. É o seu conhecimento de dentro para fora. É se relacionar inteiramente com esse mundo, sem artifícios. É saborear um vazio que pode ser repleto de revelações. É permitir constantemente o desvelamento.

sábado, 10 de outubro de 2009

Se é contra, não se manifeste... aceite, apenas

Caros e Caras,
Infelizmente, a cada dia, percebo que a humanidade está longe da prática do diálogo aberto e da boa vontade em aceitar a diversidade de opiniões e atitudes. Sou jornalista há mais de 20 anos. Profissão que escolhi por admirar dois grandes mestres, Mino Carta e Cláudio Abramo. Homens que nunca tiveram medo de dizer o que pensam, mesmo que fossem contrário aos seus melhores amigos, inclusive de partido. E assim procurei seguir a minha vida profissional e pessoal. Os anos se passaram e eu fui lutando contra tudo aquilo que considerava injusto ou que considerava que levaria a uma opressão. Algumas vezes, lutei do lado certo. Outras, me enganei. Mas a vida é assim: de acertos e erros.
O jornalismo é uma grande paixão, mas infelizmente, hoje, não conseguimos encontrar o bom jornalismo. Poucos são os que o praticam. E isso, caros e caras colegas, é devido a muitos fatores, que em um simples texto de blog não seria possível registrar.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Por que eu gosto de vinho


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Ontem, um amigo me perguntou porque eu gosto de vinho.
Eu fiquei pensando na primeira vez que tomei uma taça de vinho e toda a sensação que isso me causou.
Eu gosto de pensar na vida do vinho, como penso na minha própria vida.
O vinho é uma bebida viva.
Eu gosto de pensar no que estava acontecendo no ano em que as uvas que compõem o vinho que estou bebendo cresciam..
Assim como gosto de pensar no que estava acontecendo na minha vida enquanto essas uvas cresciam.. ..
Será que chovia?


segunda-feira, 14 de setembro de 2009

O olho que vê



As aulas de didáticas têm sido cada vez mais interessantes. Para mim, particularmente, é como um processo de autoconhecimento. Na última semana, o mestre Marcos nos trouxe algumas gravuras de artistas famosos e pediu para que escolhessêmos uma e dissessemos qual o conceito que nos viria à mente.
Eu escolhi 'Olho', de Escher, de 1946.

"OLHO, DE ESCHER. Ao contemplar a obra, identifico a possibilidade do auto-conhecimento. Os olhos são a parte do corpo que não conseguimos 'ver'. A não ser refletido em um espelho, e essa é uma ação interessante, porque quando isso acontece, pode ser o encontro com a nossa alma, essência, ou mesmo o nosso real 'modo de ser'. Mas é preciso ficar atento e saber 'olhar no fundo dos próprios olhos', da própria essência. Talvez, o autor da obra tenha conseguido esse feito e, ao olhar o seu próprio olho em um espelho, o que ele viu foi a sua 'real imagem no fundo dos seus próprios olhos'. "

(texto postado no blog - http://filometodista4-2009.blogspot.com)

domingo, 13 de setembro de 2009

Progresso científico??

Na aula de Didática de Filosofia, o nosso mestre, Marcos Eusébio, nos colocou um exercício bastante interessante. Pediu para que traçássemos uma analogia do que pensávamos ser progresso científico com alguns conceitos, como, por exemplo, cor, odor, sentimento, pessoa e fase da vida. Confesso que, a princípio, pareceu-me fácil, mas não foi. Porém, após pensar muito no tema, cheguei à seguinte 'definição':

"O progresso científico é VERMELHO, por ser vivo e, portanto, sempre em movimento, mesmo que esse movimento, muitas vezes, o leve para o ponto de origem. O seu odor é FORTE e entontece aqueles que o segue com PAIXÃO, porque 'embriaga' a cada nova descoberta ou quando decepciona por não atingir às expectativas primeiras. E, por isso, muitas vezes, arrisca voos muito altos, como de uma ÁGUIA, para buscar um novo caminho lá do alto, de longe. É como uma MULHER na MATURIDADE, porque ousa no que quer que seja, e não tem medo de recomeçar sempre que preciso for."

(texto postado no blog - http://filometodista4-2009.blogspot.com)

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

O sentido do meu "SER"

Há pouco mais de um mês, espero ansiosa por todas às sextas-feiras, às 21h20. É o momento no qual sou apresentada lentamente à filosofia de Heidegger. Estudamos a obra o "Ser e Tempo" e me sinto maravilhada a cada frase e comentário. Sem muito conhecer a fenomenologia, descubro que compartilho dos 'sentimentos' que Heidegger tão bem expressa -- ou revela -- em sua obra.
Desde então, passei a questionar 'qual o sentido do meu SER' e descubro, a cada dia, novos sentidos. É interessante, que a cada descoberta, percebo que não há conceitos ou pré-conceitos e que fatos (ou poderia chamar de fenômenos?), que antes disso eu julgava tão importantes, não fazem o menor 'sentido'.
Descubro que a minha 'angústia', sentida desde que me lembro sentir algo, é um grande privilégio e, portanto, passo a deixá-la florescer. A vida, dessa forma, mesmo parecendo tão pesada, é mais leve. Descubro que os fenômenos acontecem em mim. Um simples ato cotidiano como 'tomar banho' ganha um novo sentido e a minha relação com alguns 'fenômenos' é entendida, aceita e 'divinamente' vivenciada.

domingo, 21 de junho de 2009

À minha amiga Eliz

Essa semana que acabou, eu fui testemunha real de um antigo ditado: "quem tem amigos, tem tudo". Então, decidi falar um pouco sobre esse sentimento que nos acompanha a toda hora, mas que não nos damos conta de quanto ele é importante e precioso.
Ser amigo é muito difícil. É mais fácil ser amante, namorado, marido, mas amigo é muito mais difícil. Porque ser amigo é cuidar pra sempre e sem esperar nada em troca. E essa abdicação é pra poucos, pouquíssimos. É preciso ter um espírito nobre para isso.
Essa semana, minha querida amiga Eliz, da faculdade, fez um gesto em minha defesa que me surpreendeu. Claro que sempre senti que ela tinha afinidades comigo, mas sempre achei que era uma 'camaradagem' de amigos que compartilham do mesmo interesse. No nosso caso, a Filosofia e Wittgenstein.
Mas não, ao interceder para me ajudar em um momento de desespero, essa linda pessoa me mostrou que amizade existe, de verdade. Me comovo toda vez que me lembro de sua mensagem no celular me informando que eu poderia me tranquilizar, porque a situação já estava sob controle.
Então, a minha querida amiga, eu digo: "um dia a vida pode nos separar, afinal, sempre tomamos rumos diferentes, mas eu jamais vou esquecer o seu gesto". Mas, querida Eliz, se esse dia chegar, lembre-se sempre desse soneto de Vinícius de Moraes e nunca se esqueça que minha mão sempre estará estendida para você e MUITO OBRIGADA, para sempre:

Soneto do amigo

Enfim, depois de tanto erro passado
Tantas retaliações, tanto perigo
Eis que ressurge noutro o velho amigo
Nunca perdido, sempre reencontrado.

É bom sentá-lo novamente ao lado
Com olhos que contêm o olhar antigo
Sempre comigo um pouco atribulado
E como sempre singular comigo.

Um bicho igual a mim, simples e humano
Sabendo se mover e comover
E a disfarçar com o meu próprio engano.

O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica...

(escrito em 21/06/2009)

domingo, 7 de junho de 2009

O tempo

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O tempo tem sido assunto constante na minha vida, nos últimos dias. Assunto frequentemente debatido nas aulas de filosofia, com Santo Agostinho, Kant, Wittgenstein, enfim grandes pensadores. E diante de tanto 'tempo', um querido amigo da filosofia me enviou a letra de uma bela música - Resposta ao Tempo (vídeo anexado) - que me fez pensar sobre como eu lido com o tempo.

E tenho que confessar que lido muito mal... Transformei o tempo em um inimigo, quando, na verdade, ele deveria ser um grande aliado. Fico presa a datas, períodos e, assim, transformo o tempo no meu maior inimigo. Porque o transformei em algo mensurável, e o tempo é muito mais do que isso.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Filosofar é pra todos?


Como entender a filosofia de tantos pensadores? Essa tem sido a minha guerra diária. E como lidar com a vaidade daqueles que lêem os meus textos a respeito do meu entendimento? Estudar filosofia tem sido um grande desafio. Um desafio que não pretendo abandonar por conta da vaidade de alguns. Fico surpresa com algumas vaidades, e o pior é quando percebo que essa vaidade está mais presente naquele que diz não ter essa vaidade. Naquele que faz questão de afirmar que é tão desprovido desse 'pecado'.
Veja bem, não acho errado ser vaidoso. Mas me incomoda quando essa vaidade passa por cima da ética, quando esse ser vaidoso detém algum tipo de poder. Mesmo que esse poder seja apenas o de 'canetar' um texto inocente. Talvez a psicologia e não a filosofia explique melhor esse fato. Mas eu sou observadora e, muitas vezes, me faço de desentendida para ter informações o suficiente para conhecer melhor a alma humana. E será que é possível entender a alma humana?

domingo, 29 de março de 2009

Simplesmente, Che

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Essa semana (27/3), entrou em cartaz o tão esperado filme Che. Para os menos atentos, trata-se de mais um longa que conta a vida de um dos mais famosos revolucionários que conhecemos. "Pode ser!!!", eu diria a esses. Mas a nova película de Steven Soderbergh, com Benicio Del Toro - literalmente encarnando Che - e Rodrigo Santoro como Raúl Castro, irmão de Fidel e atual dirigente de Cuba, tem que ser vista com olhos bem atentos e desprovidos de 'pré-conceitos'.

sábado, 14 de março de 2009

Personagens de Almodóvar

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Certo dia, um amigo, após ouvir atentamente uma de minhas aventuras, me disse que Pedro Almodóvar adoraria me conhecer, porque, certamente, eu seria uma personagem maravilhosa. Na ocasião, eu ainda não conhecia o cineasta espanhol. Estávamos no ano de 1982, e eu, então, tinha 17 anos. Fiquei curiosa e fui buscar saber mais sobre Almodóvar e vi "Labirinto de Paixões". Não preciso dizer que me apaixonei por Almodóvar e sua particular linguagem sobre o mundo e seus temas polêmicos. A iluminação, a escolha de elenco, os diálogos, os cenários.. Tudo em suas obras se encaixa como perfeitos objetos contando fatos do mundo. Um mundo, muitas vezes, que tentamos esconder, negligenciar e fazer de conta que não existe.

domingo, 8 de março de 2009

No dia da mulher, agradeço aos homens da minha vida


8 de Março comemoramos o Dia Internacional da Mulher.

Temos muito sim o que comemorar. O direito ao voto, direito a cargos públicos, direito a frequentar as universidades, lugares de destaque no mundo corporativo, enfim... muitas foram as lutas. E muitas ainda virão.

Claro que tenho muito a agradecer às mulheres da minha vida. Minha mãe, que não tem nem a sexta série do ginásio, mas sempre fez questão de encher a minha estante de livros com bons títulos. O primeiro livro de Sartre foi ela quem me deu; a minha professora de literatura do terceiro colegial, Cida, que me disse que eu deveria partir para o jornalismo ou algo parecido -- na época eu estudava para medicina e passei e cursei seis meses, acreditem!!; todas as minhas amigas com suas histórias; e também todas as minhas 'inimigas' (como mulher tem 'inimiga"!!!).. porque essas me estimulam muito mais.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Mulher de 40


Compartilho aqui com vocês um belo texto que recebi de um amigo, quando fiz 40 anos... E acreditem: somos assim mesmo.. pelo menos, eu sou. Por isso, se você está chegando aos 40 e se sente velha, leia com atenção e divirta-se, porque, realmente, a brincadeira fica muito melhor... Obrigada meu amigo por esse belo texto.

"Mulher de 40 - Por Nicoz Telezunski

Comparando a mulher de 20 com a de 40 anos, num segundo momento, ela é umas sete ou oito vezes mais interessante, sedutora e irresistível do que no primeiro. Ela perdeu o frescor juvenil, é verdade, embora ainda preserve aquele sorriso encantador que me cativou no primeiro momento. Mas também perdeu o ar inseguro de quem ainda não sabe direito o que quer da vida, de si mesma, de um homem. Não sustenta mais aquele ar ingênuo, uma característica sexy de quando tinha 20. Só que somos compensados por outros atributos encantadores de que se reveste essa mulher de 40. Como se conhece melhor, ela é muito mais autêntica, centrada, certeira no trato consigo mesma e com seu homem.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

O Rei da França é calvo... falso ou verdadeiro?


Antes de responder a essa questão - que parece simples - é preciso contextualizá-la. Pois bem... muitos são os professores interessantes nas aulas da Filosofia... mas um, em especial, supera os demais. Isto porque ele coloca o filósofo no patamar de ‘ser humano’. Acreditem: um filósofo é um ser humano! Sei que é difícil de acreditar, mas é a pura verdade. E diante dessa grande revelação, eu, alguém que caiu na filosofia por acaso – ou por paixão a alguém e ao conhecimento, passeio pelo campus da faculdade a observar e a prestar muita atenção no ‘que meus irmãos dizem’.


segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Vida em verso, prosa e música

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Vou me permitir viver aventuras,
desventuras e desassossegos...
como a Carmen, de Bizet.
Ser um dia santa, noutro louca,
mas nunca inquisitora.
Não vou me podar, nem me policiar...
Quero viver cada minuto como se fosse o último
ou o primeiro.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Revelações

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(acesse o vídeo após a leitura do texto para entender a mensagem)

Há algum tempo -- quando eu acreditava em cartomantes -- uma delas me disse que a vida era viva e exigia movimentos constantes. Embora a minha 'fé' nessa prática se esvaiu, essa frase me acompanha. Portanto, sempre estou atenta aos movimentos da minha vida. Confesso que a minha vidinha se movimenta com tanta rapidez, que me entontece. Por isso, me sinto muitas vezes uma criança que acaba de ingressar na escola: curiosa, agitada e com uma vontade louca de aprender novas lições. E a cada novo ensinamento é sempre uma grande revelação. Alguns dizem que é imaturidade; outros -- mais interessantes e crentes que a vida é algo Justificar

fascinante -- dizem que é coragem. Coragem de assumir novos movimentos... E eu gosto de novos movimentos... Gosto de mudanças, mesmo que elas me cansem. Mesmo que elas me decepcionem e me obriguem a voltar ou a seguir em outra direção.