domingo, 29 de março de 2009

Simplesmente, Che

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Essa semana (27/3), entrou em cartaz o tão esperado filme Che. Para os menos atentos, trata-se de mais um longa que conta a vida de um dos mais famosos revolucionários que conhecemos. "Pode ser!!!", eu diria a esses. Mas a nova película de Steven Soderbergh, com Benicio Del Toro - literalmente encarnando Che - e Rodrigo Santoro como Raúl Castro, irmão de Fidel e atual dirigente de Cuba, tem que ser vista com olhos bem atentos e desprovidos de 'pré-conceitos'.


Interessante seria ter assistido minutos antes Diários de Motocicleta, de Walter Salles, que conta um período da vida de Che, quando ele era apenas um estudante de medicina asmático que decide acompanhar o amigo Alberto Granado, em uma viagem pela América do Sul e, ao chegar em Machu Pichu, acaba em uma colônia de leprosos. Che e Alberto ajudam a cuidar dos doentes e, nesse momento, percebemos o surgimento de um Che questionador do progresso econômico da região, que privilegia apenas uma pequena parte da população, esquecendo e afastando os que não 'servem' para manter essa pequena camada social no poder.
Na minha ignorante leitura, enxerguei ali o amadurecimento do 'Che-revolucionário' que, alguns anos depois, navega até Cuba ao lado de Fidel Castro e mais alguns poucos rebeldes com o objetivo de derrubar o governo corrupto de Fulgencio Batista. É então que o mundo conhece um novo homem: um Che Guevara com ideias firmes e soberano na batalha contra o exército de Batista.
E aí, chegamos ao filme Che. As imagens gritam na tela e um homem determinado, fiel aos seus princípios e "guiado por um forte sentimento de amor pela humanidade, pela justiça e pela verdade" nos é apresentado. Nem todos compartilharão da minha leitura, mas eu espero que muitos a entenda.
O lançamento do filme e a corrida eleitoral presidencial do nosso País levaram, na semana que terminou, uma conversa sobre revolucionários guerrilheiros entre dois colegas de faculdade. Os dois bem esclarecidos. Nessa conversa, o meu grande amigo Lucas -- uma pessoa que admiro muito -- não conseguia entender e, quem sabe aceitar, as lutas armadas da época do golpe de Estado ocorrido no Brasil, em 1964, e questionava: "Como se pode combater violência com violência". Referia-se aos famosos sequestros da época. Do outro lado, a nossa Maria, que sabiamente disse que era preciso avaliar aquele momento histórico.
Não se enganem, Lucas é um revolucionário, que se enoja com algumas defesas da nossa mídia à soberania do capitalismo, acredita e defende uma justiça verdadeira e é alguém que nutre sentimentos de admiração por esse Che que acabamos de falar.
Mas eu posso entender a colocação do Lucas. Mesmo sendo alguém que sonha com uma sociedade mais justa, é difícil romper com imagens que nos foram impostas durante anos e anos por meio de um sistema educacional voltado para a disciplina e não para o conhecimento e a reflexão.
Lamentavelmente, as ideias de Che não foram abraçadas pela maioria e ele acabou morto em terras bolivianas. Foi chamado de louco, inocente, vagabundo e, recentemente, de assassino pela revista Veja, e tantos outros adjetivos foram atribuídos a ele. Mas, para mim, Che é alguém com quem gostaria de ter convivido. Alguém que gostaria de ter seguido! É preciso entender, caros colegas, que há momentos na vida em que "matar ou morrer" faz toda a diferença. E naqueles anos, em Cuba, e em outros cantos da nossa América, era o momento. Se prestarmos um pouco mais de atenção a alguns 'cantos' -- muitos bem próximos -- ainda é esse momento. Porém, embora a morte aconteça de forma, muitas vezes, tão figurada, quem está morrendo, hoje, somos nós!

Frases do grande Ernesto 'Che' Guevara:


"Não há experiência mais profunda para o revolucionário que o ato da guerra."
"A culpa de muito dos nossos intelectuais e artistas reside em seu pecado original; não são autenticamente revolucionários."
"Em nosso trabalho de revolucionário, a morte é um acidente frequente."
"O verdadeiro revolucionário é movido por grandes sentimentos de amor."
"Muitos me chamaram de aventureiro e o sou, só que de um tipo diferente: dos que entregam a pele para provar suas verdades."
"Se você é capaz de tremer de indignação a cada vez que se comete uma injustiça no mundo, então somos companheiros."

Observação:
O projeto Che está dividido em duas partes: O Argentino, que retrata a revolução em Cuba; e A Guerrilha, que mostra a intenção de Che na Bolívia, onde acaba sendo morto pelo exército. A obra foi baseada nos livros "Passagens da Guerra Revolucionária: Congo" e "Diário do Che na Bolívia" (Ernesto Guevara).

(Escrito em 29/3/2009)

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