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Escola de Atenas, de Rafael |
Desde que comecei os meus estudos em Filosofia, sempre
acreditei que os escritos deveriam ser simplificados para que todos pudessem
ter acesso e, assim, interessar-se pelos pensadores. Minha ideia nunca foi
muito bem aceita entre os acadêmicos e lembro-me que tinha muita dificuldade em
ter uma nota mais do que sete com um dos meus professores – por sinal, um dos
que eu mais gostava. Uma dessas vezes foi em relação a um trabalho sobre Sócrates.
E quando eu o questionei o porquê daquela nota, ele me respondeu: “porque você
tem uma ideia completamente diferente da que eu apresentei”. Foi quando eu retruquei:
“Achei que estávamos em uma Faculdade de Filosofia e não de matemática”.
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Hannah Arendt |
Mas, depois de muitos estudos, eu compreendi o que esse professor
quis dizer. Realmente, podemos – e devemos – ter as nossas opiniões sobre os
pensadores, mas a essência de sua filosofia não pode ser alterada; claro que
pode ser reinterpretada, mas para isso é preciso muito estudo. Passei por outro
momento no qual essa minha constante ideia de transformar os escritos mais
simples não foi entendida. Escrevi um extenso trabalho sobre A Segunda Guerra
Mundial, no qual abordei alguns pensadores da época, entre eles, a excepcional
Hannah Arendt. Li muito e recebi um 9,5 e uma explicação sobre não ter recebido
um 10. “O seu texto é muito fácil de ler, muito jornalístico”.
Oh deuses gregos, como não seria jornalístico, se eu sou jornalista!!
Outra ideia não muito compartilhada pelos meus amigos
acadêmicos: sempre achei que a Filosofia só tem sentido se ela puder ser
praticada, e ainda continuo pensando assim. Mas para tal, é preciso conhecer
muitos conceitos para saber qual o pensamento filosófico melhor se aplica a
cada um. Muitas obras já foram escritas para despertar o interesse de muitos
para um conhecimento desenvolvido para poucos. “O Mundo de Sofia”, de Jostein
Gaarder, é uma dessas tentativas e, com certeza, muitos começaram a se
apaixonar por filosofia após conhecer a personagem e acompanhá-la em suas
descobertas. Diferentemente do que dizem, considero a obra bastante complexa e,
apesar dos exemplos interessantes, ainda assim é uma obra para poucos.
Anos depois, chegou “Quando Nietzsche Chorou”, o primeiro
romance do psicoterapeuta e professor Irvin D. Yalom. Um sucesso de vendas. Um
texto leve, de fácil leitura. Mas conheci pessoas que não o leram porque consideravam
Nietzsche muito difícil. Por ser uma conhecedora das obras do filósofo, tenho
minhas ressalvas em relação a alguns itens, mas, mesmo assim, é possível
conhecer um pouco do pensamento desse brilhante pensador.
O mesmo autor lançou também “A Cura de Schopenhauer” – que
diferentemente do primeiro, não traz o pensador como personagem, mas a sua
filosofia; e depois “O Problema de Espinosa”, talvez o mais interessante dos três.
Mas a minha dica para quem deseja se aproximar um pouco da
Filosofia – em minha opinião um mundo fantástico e de possibilidades de
descobertas incríveis -, eu recomendo um livro pouco ortodoxo e, com certeza,
muito criticado pela academia.
Nigel Warburton é o autor; não o conhecia e suas referências
não me despertaram grande interesse. No entanto, “devorei” o pocket “Uma breve
história da Filosofia”. Warburton, que é professor titular de filosofia na The Open
University (UK), faz um passeio pelos mais importantes pensadores. São
capítulos curtos. Em alguns deles senti certo preconceito do autor com o
pensador, mas ele apresenta de forma simples o cerne da filosofia de cada um,
contando histórias sobre os mesmos. Outra crítica à obra é que o autor deixa de
fora alguns pensadores que considero importantes, como Foucault e Martin Heidegger.
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