domingo, 30 de setembro de 2012

Hebe Camargo: "eu não tenho medo de morrer, tenho só peninha de não estar mais aqui"

Há semanas que não escrevia em meu blog -- não por falta de assunto, mas porque queria dizer tanto que decidi parar por um tempo. No entanto, ontem, ao voltar da minha caminhada matinal, a minha vizinha de porta, a dona Áurea, de 82 anos, escutou o barulho da chave na minha porta e abriu a dela e me perguntou com os olhos mareados:
-- Você viu a reportagem?
E eu respondi: - Sobre o que?
-- A Hebe morreu e eu não consigo parar de chorar.




Fiquei comovida não só pela morte da apresentadora e comunicadora, mas com o choro verdadeiro da dona Áurea, que tem a mesma alegria e amor pela vida que Hebe Camargo carregava.

Falar de Hebe não é nada fácil, nem para os que ela a admiravam; e nem para os que em sua santa ignorância a consideravam ultrapassada. Sabe por que? Porque todos, independentemente, a admiravam de verdade!
Hebe era luz!
Hebe era humana, humilde e com uma gargalhada contagiante. Mesmo se estávamos triste com alguma coisa, acabávamos contaminados pela sua alegria de simplesmente estar viva.
Em uma determinada entrevista, se não me engano com a Marília Gabriela, a entrevistadora perguntou: "Você tem medo de morrer?".
Hebe na sua grande sabedoria, respondeu: "Não tenho medo de morrer, tenho apenas peninha, de não estar mais aqui em seu programa, no meu sofá, com os meus convidados e com o meu público".
Mais uma lição da nossa Hebe: viver, e viver bem cada momento.
E como sempre fazia ao levantar um brinde: "Viva a Vida"
Hebe não nasceu em berço esplendido!
Era de uma família simples de Taubaté, e com ela, aprendi a satirizar as minhas próprias tristezas.
Sempre que algo ruim acontece comigo, eu digo: "Só comigo mesmo!"... mas isso sempre digo rindo e gargalhando muito. Essa foi uma das lições que aprendi com a Hebe.
A Hebe nos ensinou também que tudo é possível, se realmente queremos,  mas que jamais poderemos nos esquecer que nada, absolutamente nada, acontece sem trabalho, dedicação, luta, ética e respeito ao outro.
Hebe dizia "eu não tenho solidão, sou feliz comigo". Bela frase e lição.
Assim também sou, porque, e como disse Clarice Lispector: "não tenho tempo pra mais nada, ser feliz me consome muito".
Hebe tinha paixões, e uma delas, a maior delas, era o seu filho Marcello. Dizia: "O meu filho foi um presente de Deus".

Era também apaixonada pelo povo brasileiro e quem esteve com ela conseguia sentir o amor pela vida e por todos aqueles que estavam ali com ela. Para Hebe, os convidados não precisavam ter orgulho de estar em seu sofá, mas ela é quem sentia orgulho de ter cada um em seu sofá.
Recebia a todos como se fosse em sua própria casa; e o palco realmente era a sua própria sala de estar.
Se sentia à vontade, em casa. Todos os programas eram uma festa!

E para o Marcello, Cláudio e a todos que a amavam eu quero passar uma lição que aprendi em um belo filme, "O Estranho Caso de Benjamim Button". Em uma certa passagem, o personagem vivido por Brad Pitt, o menino que nasce velho e vai rejuvenescendo, ao ver que todos que ama começam a morrer,  pergunta o porquê. A senhora lhe diz: "a morte existe para que não nos esquecemos o quanto os que foram são importantes para nós".

-- Hebe, gracinha, a terra está triste, mas o céu está muito feliz hoje e em festa. Tanta gente boa está te recebendo, e a festa será longa e com muitas gargalhadas. Um pedido. Hebe, continue olhando pelo seu povo daí e, se precisar, dê o seu puxão de orelhas!




Um comentário:

Giselle Louzada disse...

Parabens suas palavras realmente expressam seu carinho pela nossa querida amiga Hebe Camargo.
aproveito a ocasião para agradecer o convite para sua fan page no face
obrigada e mais uma vez parabens!