domingo, 29 de junho de 2014

A mídia contra um país

Todos sabem do meu posicionamento político, mas é sempre importante frisar que sou bastante crítica, e reforçar que ser uma pessoa politizada não é aceitar tudo que o seu partido faz, e sim questioná-lo sobre o que fez de errado. Porém, acredito em ideias e não em partidos.

No entanto, hoje, gostaria de falar um pouco sobre o papel da imprensa brasileira nos meses que antecederam à Copa do Mundo. Como sabemos, desde a conquista do Brasil como país sede da Copa de 2014, e dos Jogos Olímpicos de 2016, para a cidade do Rio de Janeiro, os olhos do mundo estão voltados ao nosso país.



Não apenas em relação à economia, mas à segurança, à infraestrutura e outros itens. Líamos na imprensa nacional - que repercutia nas mídias internacionais - que o país não teria condições de realizar tal evento, que seria um caos total. Ouvi até que poderíamos ter um acidente na Arena Itaquerão, devido às obras terem sido aceleradas. E o grande viral foi #NãoVaiTerCopa. Parecia até que todos os problemas que o país tem eram exclusividades do Brasil. Cheguei a ler que não teríamos turistas e que 98% dos ingressos vendidos eram para brasileiros. Isso mesmo, 98%. E que os “poucos” turistas não teriam onde se alojar, não teriam como se alimentar e a violência seria de tal maneira que muitos deles "voltariam em caixões" (juro, li isso!)

Eu sou jornalista. Não trabalho na grande mídia, pois desde o início optei pela comunicação na área de saúde para grandes entidades médicas. Mas entendo de jornalismo. Conheço jornalistas de redação e convivo com alguns deles, e mais do que isso: nunca parei de estudar "a comunicação".

Ao analisar superficialmente (por enquanto) as notícias sobre o Brasil durante a pré-Copa (e espero que isso não se repita no pré-Olimpíadas) -, fico pensando que, por conta do poder (de estar sempre no poder ou voltar ao poder), a guerra que a mídia travou não foi contra o governo, mas foi contra o país. Em algumas mídias, prestem atenção: tudo que é feito no Brasil é criticado.

A última que li foi de um certo jornalista sobre o projeto Andar de Novo (Exoesqueleto), que possibilitou ao jovem tetraplégico a dar os primeiros passos e dar o primeiro chute no mundial. O jornalista do alto do seu pedestal e arrogância (como já disse a arrogância é irmã da intolerância) ironizou o trabalho dom cientista brasileiro Miguel Nocolellis - idealizador do projeto e um dos cientistas mais importantes do Brasil e do mundo. Afirmou que sua tecnologia não era nova ou coisa parecida. Francamente, lamentável.
Agora, que "Tivemos - e ainda estamos tendo – Copa” - o que mais leio nas mídias são pedidos de desculpas, e que se enganaram!

Caros jornalistas, desculpem-me a minha ignorância eclética, mas por que destruir a imagem do país aonde vocês vivem? E caso vocês não vivam mais aqui (muitos deles já não vivem mesmo, inclusive o tal jornalista que perdeu o seu tempo em escrever uma coluna inteira falando mal do projeto), por que esse "desamor" por tudo que é feito aqui?

Vamos sim lutar para melhorar a nossa saúde, a nossa educação, o nosso desenvolvimento. Temos muito que fazer, mas vamos também falar das coisas boas que temos e fazemos.

E para entenderem melhor do que estou falando, recomendo a leitura do texto de Jaime Amparo Alves, jornalista, doutor em Antropologia Social, Universidade do Texas em Austin: clique aqui

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