sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Intensivistas (anjos da guarda da vida) contam como foram os primeiros dias de atendimento às vítimas de Santa Maria


Na madrugada de domingo (27.1), a Boate Kiss, localizada na cidade gaúcha de Santa Maria, pegou fogo por volta das 2h30. O número de vítimas ainda era desconhecido, mas já se sabia que eram muitos feridos e mortos. O Corpo de Bombeiros da Cidade e o SAMU logo se dirigiram ao local. Os primeiros números divulgados pela imprensa eram de 231 mortos e 49 feridos. 
Mas esse número foi aumentando ao longo do dia e da semana, principalmente o de feridos. A Força Nacional – SUS iniciou seu trabalho para atender as vítimas. O Governo Federal, Estadual e Municipais se uniram para planejar a logística desse atendimento. 


O resultado foi uma mobilização nacional dos profissionais de saúde, dos hospitais da rede pública e privada, da sociedade civil e da Força Aérea Brasileira. Em menos de 12 horas, a FAB já havia adaptado aviões e helicópteros para o transporte dos pacientes para outros centros, principalmente Porto Alegre.
Enquanto isso, os profissionais de saúde de todo Brasil começaram a se colocar à disposição para o atendimento às vítimas. Ventiladores Pulmonares foram enviados pelas indústrias para o atendimento e assim iniciou-se uma batalha que vem sendo contínua e tem como principal objetivo prestar o melhor atendimento aos feridos.
Segundo os últimos dados da Força Nacional do SUS (FN-SUS), existem atualmente 124 pacientes internados em Santa Maria, Porto Alegre, Caxias do Sul, Canoas e Ijuí. O número apresentou uma queda em relação ao divulgado na tarde desta quinta-feira (31) que era 127; destes 64 estão internados sob ventilação mecânica.
O Dr. Cristiano Franke, presidente da SOTIRGS (Sociedade de Terapia Intensiva do Rio Grande do Sul), atuou em duas UTIs nesse período na cidade de Porto Alegre. O médico que chegou dos Estados Unidos no final da semana passada de um curso que tratou justamente de atendimento em casos de catástrofes e desastres, o FDM – Fundamental Desaster Management, disse que o Brasil precisa aprender muito para enfrentar esse tipo de situação. “No entanto, o planejamento e estratégias realizadas nesses últimos cinco dias foram excelentes, tanto no que se refere ao atendimento, como na mobilização de vários setores da sociedade para que os resultados fossem os mais positivos possíveis”.
Em Porto Alegre, as secretárias Estadual e Municipal de Saúde, com a ajuda dos centros hospitalares da cidade, disponibilizaram 110 leitos para o atendimento das vítimas; destes 56 foram utilizados. “É importante esclarecer que espaços foram readaptados para alocar esses leitos e nenhum paciente que já estava nas UTIs em tratamento foram deixados de serem atendidos. A logística utilizada foi usar as salas de recuperação e outros espaços para esses leitos e cancelar as cirurgias eletivas. Além disso, contamos com o apoio de muitos profissionais intensivistas que trabalharam sem parar”, reforçou Dr. Cristiano.

A triagem e o transporte – Um dos médicos intensivista que foi até Santa Maria para trabalhar na triagem dos pacientes e acompanhá-los no transporte aéreo foi o Dr. Thiago Lisboa (no centro da foto ao lado), presidente do Comitê de Infecção, Sepse e DMOS da AMIB. O médico contou que chegou a Santa Maria às 17 horas de domingo. “A triagem é importantíssima nesse momento e não é apenas avaliar a gravidade do paciente, e sim se esse paciente tem condições de ser removido via aérea. Outra questão foi identificar o melhor centro médico para alocar cada paciente”.
O enfermeiro intensivista Rogério Daronch também estava nesse grupo e acompanhou vários transportes desses pacientes, somando 36 horas seguidas de trabalho. “Nos aviões eram sete leitos e no helicóptero, dois. Cada paciente foi monitorado por um médico intensivista e um enfermeiro intensivista até a chegada. Após trabalhar em Santa Maria, voltei a Porto Alegre para auxiliar no atendimento aos pacientes”, contou.

Teleconferência – O Caso Santa Maria está nas principais manchetes dos veículos nacionais e internacionais. Profissionais intensivistas e especialistas em atendimento a catástrofes do mundo inteiro se mobilizaram para ajudar os profissionais que estão atendendo as vítimas de Santa Maria. 
Hoje (1.2), aconteceu uma teleconferência entre os hospitais das cidades que estão atendendo os pacientes e os principais centos de referência de São Paulo, Rio de Janeiro, Iraque e Estados Unidos. “Apresentamos aos especialistas alguns casos e discutimos as melhores soluções. A troca de informações com os colegas sempre é muito benéfica e só contribui para um melhor atendimento”, disse Dr. Cristiano Franke que participou da atividade. 
O médico disse que ainda não dá pra se fazer uma avaliação precisa de todas as medidas tomadas, mas disse que a união de forças e o planejamento e sua execução com rapidez foram fundamentais.

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