domingo, 11 de dezembro de 2011

"Histórias fictícias quase reais" - Prefácio

Epígrafe
"A leitura torna o homem completo, a comunicação torna-o ágil e a escrita lhe dá precisão"
Francis Bacon

Prefácio
Teca Pereira e suas várias faces
Quando eu ainda era estudante de jornalismo, lá pelos anos 1980, a professora de redação tentava ensinar aos seus alunos como escrever. Eu, particularmente, achei tão estranho, porque essa atividade não se ensina em meia dúzia de aulas. No entanto, ela prendeu a minha atenção quando disse: "escrever é um ato solitário", atribuindo a frase a Jean-Paul Sartre. Até hoje, mesmo depois de ter cursado Filosofia e lido muito sobre e o autor, não encontrei na literatura do filósofo francês a citação, mas a levo comigo sempre que me proponho a me expressar pelas palavras escritas.
E assim tem sido ao longo desses anos todos.
O ato de escrever é realmente solitário, mas é o momento no qual revelo minhas angústias ônticas e ontológicas, a mim e ao mundo; embora alguns pensadores da linguagem -- que admiro muito, considere as palavras limitadoras. A escrita tem sindo uma verdadeira terapia. Por meio dela, revelo os meus grandes segredos -- que são impossíveis de dizer em voz alta, mesmo diante do espelho.

Há muito tempo, penso em iniciar um livro. Já tentei várias vezes. Tenho mais esboços do que artigos publicados ao longo da minha carreira de jornalista. Sempre quis apresentar algo que contasse sobre as minhas experiências de vida, mas que fosse ao mesmo tempo complexo e leve. A tarefa sempre foi difícil e, por isso, nunca saiu dos esboços. 
Não desejava um texto que fosse ditador de verdades, porque a Filosofia me ensinou que há muitas verdades e a minha é apenas uma delas. Gostaria que as pessoas, em alguns momentos, se identificassem e em outros rissem das situações vividas, porque uma das minhas características sempre foi rir de passagens, mesmo quando eram terríveis; talvez, uma forma de aliviar a dor ou a indignação diante dos fatos reais.
E agora encontrei uma fórmula de unir o real com o imaginável. Abandonei o romance, que exige muitas explicações e definições psicológicas de suas personagens e optei pelo conto. 
Nos próximos capítulos, você conhecerá as experiências românticas -- às vezes absurdas, vividas pela personagem feminina. E, como revela o título, em alguns momentos serão situações totalmente reais, em outros fictícias e ainda haverá umas que serão mesclas de real e fictício. No entanto, todas foram vividas. Apenas as personagens masculinas de cada conto saberão a verdadeira história, porque, certamente, irão se reconhecer.

Boa leitura e divirta-se, porque sempre há graça, basta fazer uma (re)leitura dos fatos!

"Eu queria fazer um livro não da vida como ela é, mas como eu queria que ela fosse. Um livro para a gente pegar e ler quando quisesse esquecer a vida real. Eu entendo a arte como sendo uma errata da vida. A página tal, onde se lê isto, leia-se aquilo"
Érico Veríssimo, em "Um lugar ao sol"

1 comentários:

Michele Fernandes disse...

Muito Bom! Adoreiiiiiiiiiiiiii